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Amo as coisas simples da vida, mas, se for para ser sincera, talvez eu só as ame porque consigo enxergar grandeza, mesmo na simplicidade. É essa mentalidade que, muitas vezes, guia a minha lista de metas do ano. Foi essa mentalidade que inspirou a minha lista de leitura para 2025.
O que eu quero? É simples: me alegrar com a ânsia de ter e superar o tédio de possuir.
Viu? Meu objetivo é apenas contradizer um filósofo alemão do século XIX (para quem não está familiarizado, Arthur Schopenhauer é o nome dele; autor dessa célebre frase que rodou as redes sociais nesses últimos meses). Simples!
Como eu pretendo fazer isso?
Como boa leitora que sou, desde cedo, não resisto a uma liquidação, a uma bienal, a um desconto relâmpago que faz um livro ficar apenas dois reais mais barato do que ele sempre esteve. Então, sim, como você deve estar imaginando, eu sou uma pequena acumuladora de livros. Não tenho centenas de livros em uma estante — porque, embora acumuladora, eu não sou herdeira —, mas tenho uma quantidade relevante de livros que nunca foram lidos. Essa é a verdadeira heresia da minha trajetória literária!
Pensando de modo distanciado, é um completo egoísmo da nossa parte, como leitores, tirar livros das prateleiras das livrarias apenas para que eles viajem para as prateleiras das nossas casas… E permaneçam intocados. Imagine só quantos mocinhos e vilões já devem ter desenvolvido uma rinite braba após passar tantos anos sufocados em páginas jamais abertas…
Então, essa vai ser a minha missão heroica do ano!
Já que, uma vez, eu me dispus a gastar minhas economias para ultrapassar a ânsia de ter, agora é hora de me dispor a gastar minha disciplina e curiosidade para salvar esses célebres personagens do meu patético e mundano tédio de possuir. Até porque, se eu tivesse me disposto a lê-los antes, provavelmente não estaria passando por nenhum momento entediante.
Uma vez tendo estabelecido essa meta, como colocá-la em prática?
Eis a hora de dar crédito aos planejadores de plantão e aos diversos tutoriais de Youtube explicando como é possível tirar um plano do papel. Contradizendo a mim mesma no início desse texto, é chegada a hora de dividir minha grande meta em etapas menores.
O meu plano de ação é simples, como imagino que todo plano de ação deve ser:
- Listar todos os livros adquiridos e ainda não lidos;
- Encaixar, pelo menos, dois deles nas leituras de cada mês;
- Ler.
Bom… Ao que parece, minha grande meta disruptiva e conflitante com a filosofia alemã não é tão grande assim. Ou, pelo menos, parece bem simples quando detalhada somente em tópicos teóricos.
Só que eu sei também que, entre a teoria e a prática, existe um abismo. Com o intuito de me manter firme no cumprimento da missão de salvar meus personagens potencialmente alérgicos, eis algumas ressalvas a serem feitas sobre como conduzir tal meta:
- Devagar sempre!
Vamos encarar a realidade: esses livros, dos mais diversos gêneros, foram acumulados ao longo de alguns anos… Ou seja, é, no mínimo, ilusório achar que eles serão todos lidos em um espaço de apenas 365 dias. Não vão!
Encaro que essa é uma meta de longo prazo que começa esse ano (e, sim, terá um quantitativo de livros a ser lido), mas que provavelmente, com sorte, só será concluída no ano seguinte. E tudo bem! Ninguém está treinando para uma maratona aqui. - Equilíbrio é tudo: um pulinho nos guardados, um pulinho nos recentes
Voltando à temática do tédio de ter, penso que muitas vezes ele é alimentado pela ânsia de possuir. Assim, numa realidade em que o TikTok apresenta dezoito novos títulos por minuto, talvez se manter firme em ler apenas livros comprados há anos não seja a estratégia mais inteligente.
Por isso, o plano de ação destaca que devem ser lidos, por mês, “pelo menos”, dois livros dentre os guardados e, assim, é possível mesclar os desejos mais atuais com os interesses antigos, sem que essa meta se torne um peso, sem que seja preciso desistir. Afinal, ler ainda é sobre se divertir! - Não se apega, não!
Essa ressalva é particularmente difícil, mas vamos a ela… Contrapor os livros que pareciam interessantes no passado com nossa versão do presente, muitas vezes, pode ser uma tarefa complexa! Mas é preciso se lembrar que a leitura ainda deve ser prazerosa, então é provável que alguns títulos precisem ser deixados, sim, inacabados.
O desejo de zerar os livros da estante vem sobretudo da vontade de dar uma chance a histórias que ficaram tanto tempo negligenciadas. Só que dar uma chances, às vezes, vai nos apresentar histórias que não nos atravessam mais e é preciso lembrar que está tudo bem!
Parece um crime inafiançável, mas eu prometo que a gente pode, sim, deixar um livro pela metade, caso não seja do nosso agrado. Só assim podemos dedicar nosso tempo para as histórias que realmente aquecem nosso coração.
(Observação: precisei ler três vezes essa última ressalva e ainda não sei se eu estou convencida dela. Eu sei que é verdade, sei que é importante e é exatamente o tipo de conselho que eu preciso escutar. Mas, como já foi dito, entre a teoria e a prática, há um abismo!)
Metas estabelecidas. E agora?
Agora, a parte mais divertida: a companhia. Afinal, de que vale desafiar filósofos alemães, se eu não puder fazer isso junto com as pessoas certas? Dito isso… Que tal embarcar nessa comigo?
Atualmente, é muito fácil se perder em uma espiral de que é preciso ler 328 livros por ano para ser considerado um leitor, ou então, é preciso ter opinião sobre cada livro popular na rede social para poder continuar relevante dentro da bolha de amantes da literatura… Será? Como já dito, sei bem como são irresistíveis as promoções relâmpagos, assim como o livro do momento; mas talvez seja surpreendente dar um pouco mais de crédito aos seus interesses anteriores e, quem sabe, descobrir que não há nada de entediante nessas histórias tão diversas.
Longe de ser um manifesto para comprarmos menos livros — afinal, esse não é um texto escrito pela minha carteira —, o foco principal dessa conversa (e dessa meta) é aprimorar nossa capacidade de desfrutar… Tanto das histórias que já estão nas nossas prateleiras, mas também daquelas que futuramente — com a benção dos cupons de desconto — arranjaram um espaço não só na nossa estante, mas também no nosso coração.
E aí? Vamos juntos atrás do êxtase de possuir?
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